Hipertensão Arterial é uma das principais causas de morbi-mortalidade no Brasil. A prevalência desta patologia é estimada em aproximadamente 20% da população brasileira. (1). Em sua maioria, esta hipertensão é primária (não há uma causa especifica para o surgimento da doença). Em parte desta população, a causa é conhecida e o controle da pressão arterial torna-se especifico para esta causa primária. Entre as causas que resultam em hipertensão está o hiperaldosteronismo primário.
O hiperaldosteronismo primário é uma doença da supra-renal, na qual ha uma liberação exagerada do hormônio aldosterona. Classicamente, o hiperaldosteronismo apresenta hipertensão (decorrente da retenção de sódio) e hipocalemia (resultado da excreção urinária de potássio). Até recentemente, acreditava-se que o hiperaldosteronismo era responsável por menos de 1% dos casos de hipertensão arterial e a hipocalemia (baixos níveis séricos de potássio) deveria estar presente(2). Recentemente, tem sido observado que o hiperaldosteronismo primário pode se apresentar apenas com hipertensão sem presença de hipocalemia e; a simples dosagem do hormônio aldosterona pode estar normal(3). Com os novos parâmetros, que serão apresentados a seguir, o hiperaldosteronismo primário parece ser o agente causal de até 12% das causas de todas as hipertensões, e em sua maioria, são apresentam níveis normais de potássio sérico(4;5).
Estes novos parâmetros sugerem a razão aldosterona plasmática pela atividade de renina plasmática
como o exame de triagem para o diagnóstico de hiperaldosteronismo (Figura 1).
Um estudo multicêntrico apresenta dados sugestivos de hiperaldosteronismo para os seguintes valores laboratoriais(6): ARR maior ou igual a 20 ng/dl/ng*ml-1*hora-1 e Aldosterona plasmática superior à 15 ng/dl.
Estes novos parâmetros demonstram que o hiperaldosteronismo primário é uma patologia relativamente freqüente entre a população hipertensa e que é possível fornecer um diagnóstico precoce para que as instituições médicas possam fornecer um tratamento correto e diminuir os riscos de lesões em outros órgãos (como coração e rins) decorrentes dos níveis elevados de aldosterona.
Manuseio de Material para Dosagens de Aldosterona e Atividade de Renina
Os níveis plasmáticos de Aldosterona e Atividade de Renina são dependentes de um grande número de variáveis fisológicas e farmacológicos; logo é extremamente importante o preparo do paciente para a coleta de amostras, assim como o correto manuseio das amostras.
Cuidados relacionados ao paciente:
1- Coletas das amostras devem ser realizadas pela manhã;
2- O paciente deve estar em repouso por ao menos 30 minutos (preferencialmente com acesso venoso instalado para coleta);
3- Paciente com ingestão adequada de sal;
4- Se possível, sem o uso das medicações da tabela 1 por no mínimo 2 semanas.
Obs.: A utilização da razão Aldosterona/atividade de renina é menos susceptível às variações fisiológicas.
Cuidados ao manuseio da amostra:
1- As coletas das amostras em tubo que utilizam EDTA como anticoagulante;
2- Separação do plasma em temperatura ambiente e congelação imediata após separação do plasma;
3- Envio imediato com o plasma congelado.
Tabela 1
Medicações que interferem nos níveis de aldosterona e atividade de renina