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Notícias Científicas
Hipertensão Arterial de Difícil Controle: Hiperaldosteronismo Primário?
Dr. Fabiano Sandrini

Hipertensão Arterial é uma das principais causas de morbi-mortalidade no Brasil. A prevalência desta patologia é estimada em aproximadamente 20% da população brasileira. (1). Em sua maioria, esta hipertensão é primária (não há uma causa especifica para o surgimento da doença). Em parte desta população, a causa é conhecida e o controle da pressão arterial torna-se especifico para esta causa primária. Entre as causas que resultam em hipertensão está o hiperaldosteronismo primário.

O hiperaldosteronismo primário é uma doença da supra-renal, na qual ha uma liberação exagerada do hormônio aldosterona. Classicamente, o hiperaldosteronismo apresenta hipertensão (decorrente da retenção de sódio) e hipocalemia (resultado da excreção urinária de potássio). Até recentemente, acreditava-se que o hiperaldosteronismo era responsável por menos de 1% dos casos de hipertensão arterial e a hipocalemia (baixos níveis séricos de potássio) deveria estar presente(2). Recentemente, tem sido observado que o hiperaldosteronismo primário pode se apresentar apenas com hipertensão sem presença de hipocalemia e; a simples dosagem do hormônio aldosterona pode estar normal(3). Com os novos parâmetros, que serão apresentados a seguir, o hiperaldosteronismo primário parece ser o agente causal de até 12% das causas de todas as hipertensões, e em sua maioria, são apresentam níveis normais de potássio sérico(4;5).

Estes novos parâmetros sugerem a razão aldosterona plasmática pela atividade de renina plasmática como o exame de triagem para o diagnóstico de hiperaldosteronismo (Figura 1).

Um estudo multicêntrico apresenta dados sugestivos de hiperaldosteronismo para os seguintes valores laboratoriais(6): ARR maior ou igual a 20 ng/dl/ng*ml-1*hora-1 e Aldosterona plasmática superior à 15 ng/dl.

Estes novos parâmetros demonstram que o hiperaldosteronismo primário é uma patologia relativamente freqüente entre a população hipertensa e que é possível fornecer um diagnóstico precoce para que as instituições médicas possam fornecer um tratamento correto e diminuir os riscos de lesões em outros órgãos (como coração e rins) decorrentes dos níveis elevados de aldosterona.

Manuseio de Material para Dosagens de Aldosterona e  Atividade de Renina

 

Os níveis plasmáticos de Aldosterona e Atividade de Renina são dependentes de um grande número de variáveis fisológicas e farmacológicos; logo é extremamente importante o preparo do paciente para a coleta de amostras, assim como o correto manuseio das amostras.

 

Cuidados relacionados ao paciente:

1-     Coletas das amostras devem ser realizadas pela manhã;

2-     O paciente deve estar em repouso por ao menos 30 minutos (preferencialmente com acesso venoso instalado para coleta);

3-     Paciente com ingestão adequada de sal;

4-     Se possível, sem o uso das medicações da tabela 1 por no mínimo 2 semanas.

 

Obs.: A utilização da razão Aldosterona/atividade de renina é menos susceptível às variações fisiológicas.

 

Cuidados ao manuseio da amostra:

1-     As coletas das amostras em tubo que utilizam EDTA como anticoagulante;

2-     Separação do plasma em temperatura ambiente e congelação imediata após separação do plasma;

3-     Envio imediato com o plasma congelado.

 

 

Tabela 1

Medicações que interferem nos níveis de aldosterona e atividade de renina

  • Anti-inflamatórios não-hormonais (Aspirina, ibuprofeno, indometacina)
  • Beta-bloqueadores
  • Diuréticos poupadores de potássio (amilorida, espironolactona)
  • Inibidores da enzima de conversão da angiotensina (captopril, enalapril entre outros)
  • Diuréticos tiazídicos (clortalidona, hidroclorotiazida)
  • Diuréticos de alça (Furosemida)
  • Bloqueadores de canal de cálcio (nifidipina, felodipina)
  • Laxantes (a maioria quando em uso excessivo)
Bibliografia

Bibliografia
1 - Muxfeldt ES, Nogueira AR, Salles GF, Bloch KV. Demographic and clinical characteristics of hypertensive patients in the internal medicine outpatient clinic of a university hospital in Rio de Janeiro. Sao Paulo Med.J. 2004 May 6;122(3):87-93.

2 - Ganguly A. Primary aldosteronism. N.Engl.J.Med.1998 Dec 17;339(25):1828-34.

3 - Ganguly A.
Prevalence of primary aldosteronism in unselected hypertensive populations: screening and definitive diagnosis. J.Clin.Endocrinol.Metab 2001 Aug;86(8):4002-4.

4 - Gordon RD, Ziesak MD, Tunny TJ, Stowasser M, Klemm SA.
Evidence that primary aldosteronism may not be uncommon: 12% incidence among antihypertensive drug trial volunteers. Clin.Exp.Pharmacol.Physiol 1993 May;20(5):296-8.

5 - Mulatero P, Rabbia F, Milan A, Paglieri C, Morello F, Chiandussi L, Veglio F.
Drug effects on aldosterone/plasma renin activity ratio in primary aldosteronism. Hypertension 2002 Dec;40(6):897-902.

6 - Mulatero P, Stowasser M, Loh KC, Fardella CE, Gordon RD, Mosso L, Gomez-Sanchez CE, Veglio F, Young WF, Jr.
Increased diagnosis of primary aldosteronism, including surgically correctable forms, in centers from five continents. J.Clin.Endocrinol.Metab 2004 Mar;89(3):1045-50.

É permitida a reprodução dos textos pelos laboratórios conveniados ao Laboratório Alvaro, mediante a citação da fonte.
 
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