Com o recente conceito que há um declínio dos níveis de testosterona em homens e da existência da insuficiência androgênica parcial que requer reposição hormonal, as dosagens de testosterona em suas formas totais e livres tem sido cada vez mais freqüentemente solicitados.
Testosterona circula em forma ligada inespecificamente em albumina, ligada especificamente com a proteína ligadora aos hormônios sexuais (SHBG), e não ligada (testosterona livre). A soma de testosterona livre e a não ligada à SHBG é denominada de testosterona bioadisponível (BIO-T) e é considerado o “padrão ouro” para verificar a biodisponibilidade de testosterona. Entretanto, sua aferição é de custo elevado, sendo reservado para utilização em centros de pesquisa.
A dosagem de testosterona total têm demonstrado ser o melhor exame para estudo de perfil androgênico em homens (em relação custo e correlação clínico-laboratorial). Nos casos de valores limítrofes, o estudo de formas livres ou biodisponíveis auxiliam no diagnóstico. Entretanto, as dosagens diretas das formas citadas anteriores são de alto custo e complexidade, sendo sua utilização pouco recomendada para a prática clínica1. Métodos mais simples e com boa correlação com os aspectos clínicos têm sido sugerido para que sejam realizados. Entre eles, podemos citar o cálculo de testosterona livre (FT)2e o índice de androgênio livre (FAI) calculado3. Estes cálculos têm sido demonstrados serem de boa relação clínico-laboratorial, em alguns casos, com fidedignidade melhor do que a dosagem direta de testosterona livre por radioimunoensaio (RIA) 4
. Estas fórmulas matemáticas têm sido demonstradas serem de boa correlação clínico-laboratorial para a determinação de testosterona livre também em mulheres 5.
Em pacientes com andropausa, não houve diferença da correlação clínico-laboratorial entre as dosagens de testosterona total, livre ou FAI. Entretanto, de um modo geral, é difícil a correlação das dosagens laboratoriais e aspectos clínicos, com variações entre os vários tipos de ensaios e exames em pacientes hipogonádicos idosos6
Fórmulas
para cálculo de testosterona livre (FT) e índice
de androgênio
livre (FAI)2,3:
[T]
= T livre + AlbT + SHBGT
FAI= (100*Testosterona
(nmol/L))
/ SHBG (nmol/L)
Sendo que:
[T] =
Concentração de testosterona
AlbT = Albumina ligada
à
testosterona
SHBGT = SHBG ligada
à testosterone
Referencências:
1. Morris,
P. D., Malkin, C. J., Channer, K. S. & Jones, T. H. A
mathematical comparison of techniques to predict biologically available
testosterone in a cohort of 1072 men. Eur.
J. Endocrinol. 151,
241-249
(2004).
2. Wilke,
T. J. & Utley, D. J. Total testosterone, free-androgen
index, calculated free testosterone, and free testosterone by analog
RIA
compared in hirsute women and in otherwise-normal women with altered
binding of
sex-hormone-binding globulin. Clin. Chem.
33, 1372-1375 (1987).
3. Vermeulen,
A., Verdonck, L. & Kaufman, J. M. A critical
evaluation of simple methods for the estimation of free testosterone in
serum. J. Clin. Endocrinol. Metab 84, 3666-3672 (1999).
4. Miller,
K. K. et al.
Measurement of free testosterone in normal women and women with
androgen
deficiency: comparison of methods. J.
Clin. Endocrinol. Metab 89,
525-533 (2004).
5. Rinaldi,
S. et al.
Validity of free testosterone and free estradiol determinations in
serum samples
from postmenopausal women by theoretical calculations. Cancer
Epidemiol. Biomarkers Prev. 11,
1065-1071 (2002).
6. Christ-Crain, M. et al. Comparison of different methods for the measurement of serum testosterone in the aging male. Swiss. Med. Wkly. 134, 193-197 (2004).