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Notícias Científicas
CISTICERCOSE
Alvaro Largura

CISTICERCOSE

 

O complexo Teníase/Cisticercose constitui-se de duas entidades mórbidas distintas, causadas pela mesma espécie de cestódio, em fases diferentes do seu ciclo de vida. A teníase é provocada pela presença da forma adulta da Taenia solium ou da Taenia saginata, no intestino delgado do homem. A cisticercose é uma entidade clínica provocada pela presença da forma larvária da Taenia solium (Cysticercus cellulosae) nos tecidos de suínos, bovinos ou do homem. O parasito é transmitido pela ingestão de ovos de Taenia, proveniente de água, verduras e legumes mal lavados ou higiene inadequada. Ao ser ingerido, os ovos, penetram na mucosa intestinal, entra na circulação sanguínea e linfática alojando-se em diferentes tecidos ou órgãos. As formas mais graves da doença estão localizadas no sistema nervoso central e apresentam sintomas neuro-psíquicos e oculares. O tempo para o aparecimento da cisticercose varia de 15 dias a anos após a infecção. As manifestações clínicas dependem da localização e do número de larvas que infectaram o indivíduo, da fase de desenvolvimento dos cisticercos e da resposta imunológica do hospedeiro. O diagnóstico é realizado através de biópsia tecidual, cirurgia cerebral, testes imunológicos (pesquisa de anticorpos) no soro, saliva, LCR e exames de imagem (RX, tomografia computadorizada e ressonância magnética). O cisticerco, após seu desenvolvimento pleno no SNC, mantém mecanismo de evasão da resposta imune do hospedeiro. Mas, em um período estimado entre meses e superior a dez anos, a larva freqüentemente entra em degeneração, com conseqüente fibrose e calcificação. Após a calcificação do parasita, em muitos casos, já não apresenta LCR com alterações inflamatórias e nestes, as pesquisas de anticorpos são negativas. Quando o LCR apresenta número de leucócitos > 10/mm3 e proteína > 50 mg, usualmente são encontrados anticorpos anti Cysticercus cellulosae. Vários métodos já foram usados no imunodiagnóstico da neurocisticercose. Um número apreciável de avaliações comparativas tem indicado que o teste de ELISA apresenta maior eficiência diagnóstica.

 

 

   

Bibliografia

1. GARCIA, H. H.; GONZALEZ, A. E.; EVANS, C. A.;GILMAN, R. H. Taenia solium cysticercosis. Lancet, v. 362, n. 9383, p. 547-556, 2003.

2. GARCIA, H. H.; GONZALEZ, A. E.;GILMAN, R. H. Diagnosis, treatment and control of Taenia solium cysticercosis. Curr.Opin.Infect.Dis., v. 16, n. 5, p. 411-419, 2003.

3. LARGURA,A. Anticorpos Anti Cysticercus cellulosae na saliva e líquor em pacientes com

        Cisticercose Cerebral. XVIII Congresso Brasileiro de Análises Clínicas, Foz do Iguaçu (PR), 1991.

 
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