A
prevalência da infecção por Chlamydia trachomatis tem
preocupado os urologistas e ginecologistas nos últimos anos,
principalmente por não apresentar sintomas (assintomáticas) ou
por causa de seus sintomas brandos. Desta forma, esta infecção
não tem sido pesquisada e muitas vezes permanece sem
tratamento.
Os estudos epidemiológicos publicados têm
demonstrado uma prevalência substancial em adultos e jovens
sexualmente ativos e relatam taxas de prevalência de 5 a 20%
entre mulheres que freqüentam clínicas de planejamento
familiar; 20 a 40% em mulheres e garotas adolescentes,
sexualmente ativas, que freqüentam clínicas de DST e em cerca
de 25% de todas as mulheres atendidas em clínicas
ginecológicas. Das mulheres jovens, 8% delas sem sintomas,
apresentam infecção por C. trachomatis e 3 a 5% dos homens
atendidos, sem sintomas genito urinários são também portadores
de C.t.
Aproximadamente 50% das uretrites não
gonocócicas (UNG) são causadas por este
agente.
MÉTODOS
Vários métodos estão disponíveis para a detecção de Chlamydia trachomatis em amostras de material biológico: Exame direto (Giemsa), cultura de células (gold standard), imunofluorescência direta e métodos imunoenzimáticos . A detecção de anticorpos anti Chlamydia trachomatis, teste este limitado a casos especiais(1) , é realizado através de testes de imunofluorescência indireta e/ou ELISA.
O método de pesquisa direta de C.t. por PCR, LCR ou Captura híbrida, vem substituindo todas as técnicas anteriores com inúmeras vantagens.
EXAME DIRETO
A coleta é feita com swab ou com alça de platina, da uretra anterior ou do cérvix. A pesquisa pelo método de Giemsa, embora adequado para infecções oculares, não é recomendado para infecção do trato genital.
CULTURA DE CÉLULAS McCOY
Desde há muitos anos, a cultura de Chlamydia trachomatis em células McCoy têm sido considerada o teste padrão ouro para o diagnóstico da infecção por Chlamydia trachomatis.
Apesar de sua alta especificidade, a cultura apresenta algumas restrições: o tempo para obtenção do resultado e o fato de detectar apenas bactérias vivas, inviabilizando o teste na rotina. O resultado pode ser prejudicado por situações inadequadas de coleta, armazenamento e/ou transporte, o que diminui drásticamente a sua sensibilidade.
O método é trabalhoso e requer tempo, estrutura específica e profissionais treinados, mas continua sendo o “gold standard” para o diagnóstico das infecções por C. trachomatis.
IMUNOFLUORESCÊNCIA DIRETA
Técnica utilizada para a detecção de Chlamydia trachomatis com anticorpos monoclonais específicos (mais de 10 antígenos de C. trachomatis conhecidos são detectados) detecta corpos elementares em esfregaços uretrais e/ou endocervicais. Essa técnica apresenta sensibilidade de 85% a 98% de especificidade quando comparado com a cultura. O teste detecta unicamente a proteína de membrana e não distingue entre organismos vivos e mortos.
IMUNOFLUORESCÊNCIA INDIRETA
Técnica para pesquisa anticorpos anti Chlamydia trachomatis no soro. Esta técnica utiliza corpos elementares purificados como substrato. Um resultado com título (IgG) > 1:64 é considerado presuntivo da evidência de infecção. Título (IgG) < 1:64 sugere que o paciente não está em curso de uma infecção(1).
ELISA
Os métodos imunoenzimáticos para a pesquisa de anticorpos séricos, respectivamente, das classes IgG, IgA e IgM, são menos sensíveis e menos específicos do que os métodos citados e tem sua aplicação limitada a patologias como: prostatites crônicas , epididimites , infecções intra pélvicas (DIP - doença inflamatória pélvica) e infertilidade(2). Os testes imunológicos (pesquisa de anticorpos) não devem ser aplicados quando há suspeita de uretrites e cervicites. Nestes casos, o ideal é a pesquisa do antígeno por PCR na urina.
PCR , LCR
A reação em cadeia da polimerase (PCR) ou ligase (LCR), são métodos de especificidade e sensibilidade altas (100% e 97%, respectivamente), que utiliza a amplificação do ácido nucléico da Chlamydia (DNA-alvo), permitindo sua detecção, mesmo em concentrações pequenas, da ordem de 1 a 10 microrganismos por mililitro de material biológico.
O uso da PCR na detecção da Chlamydia trachomatis, auxilia no diagnóstico com grandes vantagens quando comparada aos métodos tradicionais.
A PCR , LCR e as técnicas de captura híbrida são os métodos de escolha para o diagnóstico da infecção por C. trachomatis. Podem ser realizadas em amostras endocervicais, uretrais e também em amostras de urina (primeiro jato), que pela facilidade tem sido o material amplamente usado para esta pesquisa.
Rotina: terças e quintas
feiras
Resultado: 24 horas
Bibliografia
É permitida a reprodução dos textos pelos laboratórios conveniados ao Laboratório Alvaro, mediante a citação da fonte.1. Scieux C, Colimon R, Bianchi A, Felten A, Perol Y. [Diagnostic value of the study of anti-Chlamidia antibodies in salpingitis. 379 cases] Presse Med 25;16(15):715-8,1987.
2. Land JA, Evers JL. Chlamydia infection and subfertility. Best Pract Res Clin Obstet Gynaecol 16(6):901-12,2002.