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Notícias Científicas
Testosterona: Total, Livre ou Biodisponível. Medido ou Calculado?
Fabiano Sandrini
Tradicionalmente a sociedade tem reconhecido menopausa nas mulheres, entretanto nos últimos anos tem sido reconhecido a andropausa em homens e o beneficio de seu tratamento. A partir de então tem sido procurado diagnosticar deficiências parciais de testosterona. Porém, fornecer resultados de testosterona de alta qualidade tem sido um desafio aos laboratórios.

Aproximadamente metade dos níveis de testosterona sérica é fortemente ligada a globulina ligadora aos hormônios sexuais (SHBG), do restante, quase tudo está ligado a albumina. Somente 2% dos níveis de testosterona esta livre (não ligado). Atualmente, sabe-se que a testosterona ligada à albumina também está disposição para ligar aos receptores teciduais. Por isso, a testosterona livre mais a testosterona ligada não ao SHBG são consideradas “testosterona biodisponível”.

Dificuldades dos métodos de dosagens de “testosterona livre”:

O teste padrão para a dosagem de testosterona livre tem sido considerado os métodos de diálise e ultra-filtração. Entretanto, este é um método bastante trabalhoso, custo elevado, não passível de automação. Ainda, apesar de ser considerado teste padrão, a variação deste teste entre laboratórios utilizando o mesmo método é de aproximadamente 40%.

Outro método utilizado para quantificação de testosterona livre é um método comercial que utiliza um princípio semelhante a quantificacao de T4 livre ao utilizar um traço marcado com análogo de testosterona. Este método também possui vários problemas de seu principio, pois parte da testosterona fracamente ligada a albumina não será detectada. E, decorrentes disto, muitas associações médicas e cientificas tem solicitado a retirada destes métodos do mercado.

Testosterona biodisponível medida por fração de não-precipitada de testosterona. Neste método, observa-se precipitação de testosterona ligada ao SHBG quando exposto em solução saturada de sulfato de amônia. Atualmente, este método tem sido considerado o mais eficiente, entretanto, sua metodologia torna-se inviável para laboratórios clínicos.

Grupos de pesquisa estão desenvolvendo novos métodos que possam, diretamente, quantificar de modo confiável os níveis de testosterona livre. Porém, estas dificuldades técnicas favorecem ao uso de métodos indiretos para quantificação desta fração de testosterona.

Métodos indiretos de cálculo de testosterona livre:

Mensuração do SHBG e o cálculo do índice de andrógenos livres (FAI) têm sido utilizados para suprir a deficiência de métodos diretos de quantificação de testosterona livre. O FAI é obtido pela divisão dos níveis de testosterona total pelos níveis de SHBG. Por não levar em consideração as variações dos níveis de albumina, também há limitações nos usos destes métodos.

Um método que está cada vez mais utilizado é o cálculo estequiométrico. Neste método, há uma consideração nos valores de testosterona, albumina e SHBG. Novamente, há uma controvérsia em relação aos valores de constante de associação de testosterona-SHBG que parece variar de acordo com idade do indivíduo.

Quando está indicada a quantificação das frações de testosterona?

As limitações de todos os métodos para quantificação de testosterona livre ou mesmo biodisponível reforça a necessidade de estabelecer a boa qualidade de mensuração de testosterona total dos laboratórios, assim como reconhecer a real indicação das quantificações destas frações. Em importante reconhecer que níveis totais de testosterona que estão em valores extremamente abaixo dos níveis normais ou, ao contrário, em níveis elevados, não há necessidade, pois se torna praticamente improvável que os níveis de testosterona livre estejam em níveis normais. Assim, recentemente tem sido sugerido que a indicação de quantificação de testosterona livre seja realizada em indivíduos com níveis de testosterona total compreendido entre 170 a 400ng/dL (6 a 14nmol/L).
Bibliografia
Christ-Crain M et al., Swiss.Med.Wkly. (2004)
Miller KK et al., J.Clin.Endocrinol.Metab (2004)
Morris PD et al., Eur.J.Endocrinol. (2004)
Rinaldi S et al., Cancer Epidemiol.Biomarkers Prev.(2002)
Gheorgiu I et al., Clin Biochem (2005)
 
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