A
toxocariose (larva migrans visceral) é uma infecção que
resulta da invasão de órgãos por larvas de nematelmintos, como
o Toxocara canis e o Toxocara cati (menos comum).
Os
ovos dos parasitas se desenvolvem no solo contaminado por
fezes de cães e gatos infectados e podem ser transferidos
diretamente para a boca se uma criança brincar com a areia
contaminada ou comê-la. Depois de deglutidos, os ovos se abrem
no intestino. As larvas penetram na parede intestinal e se
propagam pelo sangue. Quase qualquer tecido do corpo pode ser
envolvido, particularmente o cérebro, os olhos, o fígado, o
pulmão e o coração. As larvas podem permanecer vivas por
muitos meses, causando lesão por migração aos tecidos e
inflamação em torno delas.
Sintomas
Os sintomas podem
começar após várias semanas da infecção, ou ainda demorar
vários meses, dependendo da intensidade, do número de
exposições e da sensibilidade da pessoa às larvas. Febre,
tosse, sibilos e hepatomegalia podem desenvolver-se primeiro.
Algumas pessoas têm erupção cutânea, esplenomegalia e
pneumonia recorrente. Crianças de mais idade tendem a não
apresentar sintomas, ou estes são leves, mas podem desenvolver
lesão ocular que comprometa a visão e que pode ser confundida
com tumor maligno do olho. Pode-se suspeitar de toxocaríase em
pessoa que tenha número elevado de eosinófilos, hepatomegalia
e inflamação dos pulmões.
As infecções no homem são
esporádicas e provavelmente ocorrem em todo o mundo. Nos EUA a
soroprevalência dos anticorpos é de 5 a 7%. O contato direto
com animais infectados não produz infecção, pois os ovos
requerem um período de 3-4 semanas de incubação extrínsica
para se tornarem infectantes por meses ou anos. No homem, as
larvas chocadas são incapazes de amadurecer, mas continuam a
migrar através dos tecidos por até seis meses. Eventualmente,
elas se alojam em vários órgãos, particularmente nos pulmões e
fígado e com menor freqüência no cérebro, olhos e outros
tecidos, onde produzem granulomas eosinofílicos com até 1 cm
de diâmetro.
Achados Laboratoriais
A
leucocitose é acentuada e o percentual de eosinófilos
normalmente é maior que 30% (30-50%) títulos de
isohemaglutinina não específicos (Anti A e anti B) são
geralmente maiores do que 1:1024. O teste sorológico ELISA é o
mais específico (92%) e sensível (82%), permitindo o
diagnóstico presuntivo, inclusive nas fases agudas(1,2).
A
toxocaríase ocular, reconhecida anos após a infecção aguda,
geralmente não está associada com a eosinofilia periférica ou
elevação das isohemaglutininas. Os testes séricos por ELISA
podem ser positivos, mas um teste negativo não exclui o
diagnóstico. O exame do humor vítreo para pesquisa de
anticorpos (ELISA) e a pesquisa de eosinófilos, podem ser
extremamente úteis para o
diagnóstico.
Rotina: 2 Feiras
Resultado: 24
horas
Bibliografia
É permitida a reprodução dos textos pelos laboratórios conveniados ao Laboratório Alvaro, mediante a citação da fonte.1. Jacquier P, Gottstein B, Stingelin Y, Eckert J. Immunodiagnosis of toxocarosis in humans: evaluation of a new enzyme-linked immunosorbent assay kit. J Clin Microbiol ;29(9):1831-5,1991.
2. Dubinsky P, Akao N, Reiterova K, Konakova G. Comparison of the sensitive screening kit with two ELISA sets for detection of anti-Toxocara antibodies. Southeast Asian J Trop Med Public Health ;31(2):394-8,2000.